sábado, 27 de agosto de 2011

Trabalho com mulheres dos atletas ganha jogo, garante esposa de Lopes

Elza foi uma das primeiras a perceber que as esposas dos jogadores eram um trunfo para futebol e realizou diversas reuniões com as mulheres

 sportv.globo
Uma das primeiras a perceber que as esposas dos jogadores eram um trunfo para o futebol, Elsa credita boa parte das vitórias do marido Antônio Lopes às reuniões que realizava com as mulheres dos atletas. A ideia de fazer encontros constantes surgiu depois de perceber que as famílias dos jogadores praticamente não tinham contato.
- A ideia de fazer as reuniões foi em 92. Ele já estava no futebol há algum tempo, mas era a primeira vez que ele ia trabalhar fora do estado do Rio de Janeiro, no Internacional. Nós fomos para uma festa e aí eu vi cada jogador com a sua esposa e os seus filhos em um canto. Nem as crianças estavam juntas. Aí eu falei para ele: ‘Toninho, é tão estranho essas festas assim, parece que ninguém se conhece.' E, no entanto, os jogadores vivem mais juntos do que com a própria família. Acho que vou começar a fazer umas reuniões para as esposas dos jogadores - disse Elza Lopes, em entrevista ao "SporTV Repórter".
Enquanto Lopes treinava os jogadores, ela reunia as mulheres e falava sobre a vida deles e dava conselhos. Não demorou para o resultado das reuniões começar a aparecer em campo. Elza era estratégia feminina que os adversários do técnico Antonio Lopes enfrentaram todos esses anos e não sabiam.
Todos os lugares que nós fizemos a reunião ele ganhou títulos. Todos os lugares."
Elza Lopes, esposa do técnico Antônio Lopes
- Em todos os lugares em que nós fizemos a reunião ele ganhou títulos. Em todos os lugares. Começou em 92, lá no Internacional. Foi bicampeão estadual e ganhou a Copa do Brasil. Depois ele foi para Paraná, fomos logo campeões com o Paraná Clube. No Vasco, de 96 a 2000, ele ganhou tudo. Em 2004, foi campeão no Coritiba. Em 2005, campeão Brasileiro pelo Corinthians. Então é sinal de que dá certo - lembra, orgulhosa.
Os assuntos que as esposas mais querem falar nas reuniões são tabus: concentração e reserva. Elza faz questão de esclarecer o trabalho que é feito.
- Eu aviso logo: a reserva não pode ser discutida aqui porque eu nem escalo, nem barro ninguém. Porque o técnico é suficientemente competente para isso. Eu somente converso com vocês. Algum problema que vocês tenham que resolver, eu vou tentar resolver.
Em 37 anos de carreira, Antônio Lopes passou por grandes times. Além de ter treinado diversas equipes brasileiras, ele também comandou as seleções do Kuwait e da Costa do Marfim e times nos Emirados Árabes e no Paraguai. Todo trabalho era feito co Precisa gostar muito de futebol. Se a mulher não gostar do futebol como ela gosta, não vai conseguir fazer isso. Ela escuta muito rádio, vê muita televisão, lê muitos jornais. Até os problemas dos adversários que nós vamos enfrentar ela consegue captar e passar para mim. O que disse um jogador adversário, o que ele falou na televisão, o que ele deixou de falar, apontando determinadas coisas dos nossos times. Ela faz uma coletagem boa da imprensa falada, escrita, televisada - afirma Lopes.
-  É, às vezes eu passo pra ele. Fulano não vai jogar, fulano se machucou. Eu sou auxiliar técnica - brinca Elza.

- Uma mulher pode derrubar o homem ou colocar o homem lá em cima. Essas reuniões que ela sempre faz têm esse objetivo. Ela trabalha a cabeça das mulheres dos jogadores para que o jogador tenha bastante força, o jogador faça determinadas coisas que são necessárias ao futebol. Como o problema de concentração, a esposa do jogador não gosta. Então ela mostra à mulher que é importante, que ele vai ficar bem guardado, que não sai da concentração para a noite.
Elza não só conversa com as esposas, mas ajuda o marido na parte técnica do trabalho.

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