quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Estímulo à maior participação feminina e a lei de reserva de vagas são temas de baixa presença no noticiário sobre Mulher e Política
maunh 
Resumo Cobertura jornalística do assunto esteve focada em aspectos individuais da presença das mulheres nos espaços de poder, em detrimento de abordagens mais amplas
andi.org.br
Estímulo à maior participação feminina e a lei de reserva de vagas são temas de baixa presença no noticiário sobre Mulher e Política
A presença de duas candidatas com densidade política e forte expressão eleitoral na campanha presidencial dominou o noticiário brasileiro em 2010 no que se refere à participação da mulher na política. Estudo realizado pela ANDI, Instituto Patrícia Galvão e Observatório Brasil da Igualdade de Gênero revela que a possibilidade de eleição de Dilma Roussef ou Marina Silva à Presidência da República impulsionou a cobertura sobre o pleito, diante de diversas outras questões da agenda Mulher e Política, em 2010.
Segundo o levantamento, a maioria dos jornais optou por abordar a Mulher na Política a partir de um enquadramento desvinculado da atuação imediata de instituições dos setores público, privado e não-governamental. Ou seja, prevaleceram aspectos individuais ou temáticos – aqueles que tratam de características particulares de lideranças políticas femininas e da discussão mais geral sobre as possibilidades de acesso das mulheres aos cargos de poder e decisão. 
 
Os dados revelam que, ao focar atenção quase que exclusivamente na corrida presidencial, os veículos noticiosos perderam a valiosa oportunidade de abrir espaço à discussão de políticas públicas, programas de governo e mesmo da legislação eleitoral que trata da presença feminina nas instâncias políticas – aspectos indispensáveis na reflexão sobre as causas da exclusão das mulheres das instâncias formais da política.
 
Todas as raras notícias com foco específico na legislação eleitoral (4,24% da amostra) mencionam a cota mínima de 30% para candidaturas de ambos os sexos. Por outro lado, o noticiário sobre legislação eleitoral não cita a destinação de 5% dos recursos do fundo partidário para promoção da participação das mulheres na política e nem a reserva de um mínimo de 10% do tempo da propaganda partidária em anos sem eleição para promoção das candidaturas femininas.
 
Mesmo levando em conta que nas disputas eleitorais a imprensa tende a abordar o tema das políticas públicas essencialmente a partir das propostas e programas das candidaturas, faltou maior espaço ao debate sobre programas e políticas de governo para as mulheres. Dentre as notícias analisadas, menos de 2% trazem menções a programas ou políticas públicas na área – nenhuma delas relacionada a iniciativas importantes como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres ou o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
 
Saiba mais sobre a cobertura jornalística dedicada ao tema Mulher e Política no Resumo Executivo do estudo Análise de Cobertura da Imprensa sobre Mulheres na Política e Espaços de Poder. A pesquisa foi realizada pela ANDI – Comunicação e Direitos e pelo Instituto Patrícia Galvão, no âmbito de projeto vinculado ao Observatório Brasil de Igualdade de Gênero da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).
 
Acesse a versão completa do estudo será lançada no seminário Imprensa e Agenda de Direitos das Mulheres – uma análise das tendências da cobertura jornalística, organizado pela SPM-PR. O evento reunirá em Brasília, no dia 3 de outubro, diversos profissionais de imprensa e especialistas na agenda de equidade de gênero.

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