Pílula anticoncepcional para homens em fase experimental
Comprimido testado em ratos seria capaz de bloquear espermatozoides
Comprimido testado em ratos seria capaz de bloquear espermatozoides. Droga atua em receptor de vitamina A e pode reverter fertilidade após uso.
Em um trabalho ainda incipiente com ratos, publicado na revista Endocrinology, os pesquisadores relatam mexer em um receptor de ácido retinoico (derivado da vitamina A) e ter uma rápida recuperação da fertilidade após a interrupção do uso.
Há quase 100 anos, já se sabe que a falta dessa vitamina no organismo pode provocar esterilidade masculina, entre outros problemas, como prejuízos à visão.
Segundo o estudo, baixas doses da droga não afetam os olhos e, por não incluírem hormônios na composição, não teriam efeitos colaterais como diminuição da libido, maior risco de doenças cardiovasculares e hiperplasia (aumento) benigna da próstata.
O desafio agora, para que a pílula dos homens se torne realidade, é provar que o composto é seguro, eficaz e reversível quando usado por muitos anos.
Segundo o urologista Fernando Almeida, médico do Hospital Sírio-Libanês e professor da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esses estudos ainda são experimentais, e o grande problema é encontrar a reversão da infertilidade.
“Ser uma droga não hormonal, como ocorre nas mulheres, é uma vantagem nesse caso, pois mexer com os hormônios masculinos causaria alterações na próstata, na voz e no cabelo, entre outras”, diz o médico.
O ideal, portanto, seria bloquear apenas os receptores de vitamina A nos testículos, preservando o restante do corpo.
O urologista Renato Fraietta, especialista em reprodução humana e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reforça que essa descoberta ainda é inicial, porém promissora. Várias outras sugestões de contraceptivos masculinos já surgiram, de acordo com ele, mas nenhuma emplacou.
“Quem sabe, isso possa ser criado e substituir a pílula feminina ou democratizar o uso entre os parceiros. Mas ainda não é possível prever como será”, afirma.
De acordo com o médico, os principais entraves são em relação à segurança, eficácia, praticidade e manutenção da função hormonal do indivíduo.
Ao contrário da mulher, que já nasce com todos os óvulos que terá durante toda a vida, o homem produz espermatozoides continuamente. A ejaculação elimina espermatozoides produzidos apenas três meses antes.
Por conta disso, a confecção de uma pílula masculina é mais difícil, pois a recuperação não é rápida e a reversibilidade pode ser lenta ou inexistente. Além disso, mexer nos hormônios pode desencadear um efeito "rebote" (baixa hormonal até a recuperação dos testículos), perda de força muscular, cansaço, depressão e sonolência, entre outros prejuízos.
“No período de uso, o ideal seria o homem ejacular normalmente, sem espermatozoides, da mesma forma que um paciente vasectomizado, com a diferença de que poderia voltar a ser fértil a qualquer momento”, explica Fraietta.
Se o composto for injetável, com duração maior que a de um comprimido, a dificuldade para controlar a duração do princípio ativo seria ainda maior.
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