Driblando de salto alto: As mulheres e o futebol
Jovens Colunistas FutligaPor Zé Maria
Não é segredo, nem para mim e muito menos para vocês homens, que leem essa coluna agora, que muitas mulheres jogam futebol ou estão de alguma forma ligadas a esse esporte. Essa modalidade é antiga, não é algo tão “atual” como muitos devem pensar, por esse motivo, vou contar de uma maneira rápida a história do futebol feminino. Como já dito, quem pensa que o futebol feminino é uma novidade, está muito, mas muito enganado. A toda poderosa Inglaterra e a Escócia foram os personagens da primeira partida de futebol entre mulheres, em 1898, em Londres. Se formos pensar, já existe mais de 110 anos que a prática é exercida. Porém, no Brasil, a primeira partida foi realizada somente em 1921, em São Paulo por sinal, onde mademoiselles catarinenses e tremembeenses se enfrentaram ferozmente! As loiras catarinenses, como muitos devem estar pensando, foram as primeiras a iniciar a prática no Brasil.
Mas, por mais que hoje seja normal ver meninas jogando bola, o machismo da época não foi tão maleável assim. Para se jogar futebol, antes de tudo, deveríamos mudar a cabeça dos homens. Em 1964, para se ter uma ideia, o Conselho Nacional de Desportos - CND proibiu a prática do futebol feminino no Brasil. Absurdo? Não. Na época foi normal e levaram-se anos para mudar essa situação, que só foi revogada em 1981, quase 20 anos. Depois dessa conquista, o futebol feminino só foi crescendo e ganhando espaço no Brasil e no mundo. E em 1996, o futebol foi incluído como categoria nas Olimpíadas, garantindo ao Brasil o 4º lugar, a mesma colocação que obteve em 2000, em Sydney. Em 2003, as meninas conquistaram a medalha de ouro dos jogos Pan-americanos e também o Tetracampeonato Sul-americano. Sem contar que também a seleção brasileira conquistou a medalha de ouro do torneio de futebol feminino dos XV Jogos Pan-Americanos Rio 2007, lembrando-se também das conquistas na Copa do Mundo.
Por mais que elas tenham conquistado o espaço e muitos campeonatos, hoje ainda não é possível afirmar que as dificuldades foram vencidas. Isto considerando que a sociedade ainda (mesmo que a ideia esteja começando a mudar) discrimina a mulher que mostra um interesse na prática de um esporte tão masculinizado, porém enquanto não há um reconhecimento por parte da sociedade, algumas mulheres vão se envolvendo com o futebol por caminhos diferentes, sem necessariamente precisar ser atleta, como arbitragem, gandulas, etc:
Campeonato Brasileiro de Futebol. A disputa era entre São Paulo e Guarani. Estádio lotado, jogadores a postos e torcida animada. Eis que entra em campo a equipe de arbitragem. Nesse momento, muitos não acreditavam no que viam. Outros estavam indignados. Alguns ficaram sem reação. O motivo dos diversos sentimentos era a trio de arbitragem, 100% feminino, composto por Sílvia Regina de Oliveira e as assistentes Ana Paula da Silva e Aline Lambert (...) (Revista Mulher e Carreira, agosto de 2004, p. 24).
Essa fonte comprova que a mulher vem ganhando cada vez mais espaço no futebol, e que mesmo vítimas de muito preconceito, continuam firmes na luta pelo seu próprio reconhecimento no esporte. E sabem também o que me surpreendeu bastante? O incrível número de times de futebol amador femininos. Sim! Eles existem, na pesquisa, quando fui para o Google, achei diversos sites, com a mesma função da FUTLIGA, voltados para o Amador Feminino. Inspirador, motivacional!
Mas, no final das contas, quero deixar bem claro que desde o inicio o futebol feminino tem sofrido muitos preconceitos. Ainda hoje é muito difícil para esse esporte se firmar, conforme tudo que interfere nesse fator. A questão do sexo frágil tem sido usada para impedir a participação feminina nos esportes. Disfarçando o preconceito, um discurso de que é uma forma de preservar a feminilidade. Não vou dizer que a mídia não tem sua parcela de culpa, porque estaria mentindo, mas na situação atual, ninguém se preocupa com a atleta feminina tanto quanto ao masculino, exceto quando se é dito sobre os atributos físicos da mulher e não do esporte em si. Encerro com o que li em um trabalho acadêmico, inclusive:
“Enquanto a mentalidade da sociedade não mudar, as mulheres sempre terão dificuldade em conquistar seu espaço. "Não é a identidade feminina que requer reconhecimento, mas sim a condição das mulheres como parceiras plenas na interação social" (FRASER, 2000)”.
Texto extraido do site www.futliga.com.br
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