Celeste Maia Bentley - Uma pintora dos tempos modernos
por JOANA EMÍDIO MARQUES-DN gente

Convidada pela Colomer & Sons para criar uma colecção de relógios de luxo pintados à mão, partiu numa viagem interior para entender o tempo.
Com os olhos postos no observador, os cabelos compridos a esvoaçar contra um horizonte feito de planície e colinas, a figura de Celeste Maia Bentley parece prolongar-se na paisagem com uma beleza agreste que a fotografia antiga subtilmente capta. Poderia ser uma das mulheres que ela própria pintou pelo mundo fora, ao longo de um percurso com mais de quatro décadas. A imagem é a última do catálogo, escrito por Clara Pinto Correia, em que é traçada uma retrospectiva sobre a obra figurativa da pintora, hoje com 69 anos.
A vida desta mulher, que nasceu em Moçambique, viveu em oito países e três continentes, obrigou-a, desde cedo, a pensar e representar o espaço, quer nas suas geografias naturais quer nas humanas. Porém, há dois anos, quando "o acaso e a urgência" a fizeram descobrir a pintura abstracta, ela não sabia que essa pequena revolução prenunciava grandes mudanças na sua vida. A mulher dos espaços estava prestes a descobrir o tempo.
As suas obras abstractas chamaram a atenção da empresa espanhola Colomer & Sons, que lhe propôs pintar uma série de mostradores de relógios de pulso. Um projecto exclusivo e destinado a clientes de luxo. Celeste Maia, artista do analógico, da tangibilidade da matéria, deparou-se, pela primeira vez, com a necessidade de pensar o tempo. Essa coisa imaterial e indizível sobre a qual há milénios se debruçam cientistas e filósofos impôs-se na sua vida. Ela que sempre viveu "sem relógio".
Estas peças vão estar expostas no Centro Cultural de Cascais, entre 9 de Setembro e 2 de Outubro. São ao todo 20 relógios. Cada um deles tem, no mostrador, uma imagem original pintada por Celeste Maia. O exercício de pintar imagens figurativas e abstractas sobre um suporte milimétrico que é um mostrador de relógio obrigou--a a enveredar definitivamente por caminhos novos. "Matriculei-me na disciplina de Física quântica na Universidade Complutense, em Madrid, li Santo Agostinho, descobri a maravilhosa viagem de circum- navegação de Fernão de Magalhães", diz.
"Quando comecei a fazer pintura abstracta, a minha mão e o meu corpo descobriram uma liberdade inusitada. Na verdade era escrava do figurativo. Agora já não concebo deixar o abstracto", afirma no momento em que termina os relógios da Colomer & Sons. Projecto que, sem querer, a obrigou a fazer uma viagem pelo seu próprio percurso artístico. "Pintei o tempo no que ele tem de mais abstracto, como o átomo, o Big Bang. Procurei pensar também a partir do seu carácter simbólico e aí cheguei à sua ligação com o espaço ", contou. Foi aí que descobriu os barcos? "Sim, percebi que a conquista do espaço implicou uma maior compreensão do tempo."
A vida desta mulher, que nasceu em Moçambique, viveu em oito países e três continentes, obrigou-a, desde cedo, a pensar e representar o espaço, quer nas suas geografias naturais quer nas humanas. Porém, há dois anos, quando "o acaso e a urgência" a fizeram descobrir a pintura abstracta, ela não sabia que essa pequena revolução prenunciava grandes mudanças na sua vida. A mulher dos espaços estava prestes a descobrir o tempo.
As suas obras abstractas chamaram a atenção da empresa espanhola Colomer & Sons, que lhe propôs pintar uma série de mostradores de relógios de pulso. Um projecto exclusivo e destinado a clientes de luxo. Celeste Maia, artista do analógico, da tangibilidade da matéria, deparou-se, pela primeira vez, com a necessidade de pensar o tempo. Essa coisa imaterial e indizível sobre a qual há milénios se debruçam cientistas e filósofos impôs-se na sua vida. Ela que sempre viveu "sem relógio".
Estas peças vão estar expostas no Centro Cultural de Cascais, entre 9 de Setembro e 2 de Outubro. São ao todo 20 relógios. Cada um deles tem, no mostrador, uma imagem original pintada por Celeste Maia. O exercício de pintar imagens figurativas e abstractas sobre um suporte milimétrico que é um mostrador de relógio obrigou--a a enveredar definitivamente por caminhos novos. "Matriculei-me na disciplina de Física quântica na Universidade Complutense, em Madrid, li Santo Agostinho, descobri a maravilhosa viagem de circum- navegação de Fernão de Magalhães", diz.
"Quando comecei a fazer pintura abstracta, a minha mão e o meu corpo descobriram uma liberdade inusitada. Na verdade era escrava do figurativo. Agora já não concebo deixar o abstracto", afirma no momento em que termina os relógios da Colomer & Sons. Projecto que, sem querer, a obrigou a fazer uma viagem pelo seu próprio percurso artístico. "Pintei o tempo no que ele tem de mais abstracto, como o átomo, o Big Bang. Procurei pensar também a partir do seu carácter simbólico e aí cheguei à sua ligação com o espaço ", contou. Foi aí que descobriu os barcos? "Sim, percebi que a conquista do espaço implicou uma maior compreensão do tempo."
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