Aventura pelos cânions brasileiros
O Terra da Gente foi conhecer os imensos abismos existentes no extremo sul do País
Terra da Gente
Você já ouviu falar dos imensos abismos existentes no nosso país? O programa Terra da Gente deste sábado (27) viaja pelos grandes cânions dos Aparados da Serra, no sul do Brasil. A região tem um cenário fantástico e muito pouco explorado pelos próprios brasileiros. Toda a beleza selvagem pertence à Serra Geral, na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Foi em busca de aventuras pelos enormes abismos do sul do país, que a equipe do Terra da Gente subiu a Serra Geral. As fazendas centenárias gaúchas acolhem e dão ponto de pouso para os exploradores. A vegetação é diversificada com Campos de Altitude, Mata de Araucária e Mata Atlântica. Os bichos estão por toda parte: o graxaim, parente da raposa, mostra a cara nas lentes do programa. As enormes fendas entre montanhas e chapadas se formaram por erosões nas rochas vulcânicas. À beira do abismo no cânion Fortaleza, o repórter Marcelo Ferri quase perde o fôlego com a força do vento que passa dos cem quilômetros por hora. Das aventuras nas serras do sul outra equipe do Terra da Gente, com o repórter Vinícius Marra, caminhou para os desafios da pesca esportiva no rio Grande, na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. As surpresas começam pelo comando da pescaria: quem guia a equipe é uma mulher, Aline Horikawa. A pescadora esportiva não falha e faz render uma boa variedade de peixes.
Programa 673 – Aparados da Serra
Aparados da Serra
(Marcelo Ferri/Ricardo Custódio/Bernardo Piton)
A equipe do Terra da Gente se encontrava ao extremo sul de Santa Catarina, a caminho da serra gaúcha. Timbé do Sul é a última cidade antes de começar a subida. Um portal é a porta de entrada para a aventura.
Igual ao portal, a madeira também é usada na construção de muitas casas. Uma forte influência da colonização italiana. O trajeto era morro acima.
A equipe deixa os cem metros de altitude acima do nível do mar para subir a mais de mil metros. Mais de carro na estrada significa atenção redobrada.
Pela estrada de terra, ultrapassam a divisa com o Rio Grande do Sul. Nas poucas paradas, temos a dimensão da fortaleza natural que são essas serras.
A cidade fica para trás, escondida, distante... Já estavam no topo! De cima, duas diferenças são bem claras: primeiro a vegetação. Em vez de mata fechada, têm-se campos bem extensos.
A outra diferença é a temperatura que é, em média, oito graus menor que embaixo. O grupo seguiu pelas belas paisagens, os campos acima da serra. A estrada some de repente e dá lugar a uma trilha.
A viagem de aventuras ganha momentos de desafios: a caminhonete passa por um enorme arroio. Mas eles seguem até o limite.
Em frente, uma surpresa. Uma grande fenda em meio a duas paredes de rocha. As montanhas escondem o rio que passa lá em baixo. A equipe do Terra da Gente estava diante de um grande cânion brasileiro.
O guia, Eduardo Bernardino, diz que aquele era um cânion de coxilia, um dos mais “selvagens” dos Aparados da Serra. Na verdade, era um conjunto de três gargantas e um dos maiores da região. Quem visita o local fica impressionado.
Para entender a obra prima da natureza, foi preciso conhecer a origem da Serra Geral, formada há milhões de anos a partir do derramamento de lava vulcânica.
Ela começa no Paraguai, corta o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Passa pela Argentina e só termina no Uruguai. No Brasil, o imenso platô é interrompido subitamente por abismos verticais. São os Aparados da Serra.
Eduardo explica que Aparados vem de origem dos tropeiros que tropeavam na região. Levavam tropas de gado até São Paulo. Eles desciam os Aparados por caminhos sinuosos.
Quando eles passavam por essas imensas gargantas, observavam que a região parece que foi “tirada à faca”, como se fatiasse um bolo, como se fosse aparado. Isso deu origem ao nome Aparados da Serra.
O complexo tem 36 cânions, com profundidade média de 700 metros. Os famosos grand canyons do Arizona, nos Estados Unidos, têm apenas 300 metros a mais.
O topo da serra abriga dezenas de fazenda e de famílias que habitam a região há décadas. E é numa delas, na fazenda de Mário Vieira, o seo Mário, que a equipe foi acolhida. A casa de madeira é cercada por araucárias, árvores típicas das regiões frias.
A temperatura era de três graus negativos. seo Mário nem se preocupou. Logo cedo já estava em pé para cuidar da ordenha.
Ele ofereceu uma bebida tradicional da região. O café amargo, aquele que é misturado com leite tirado na hora. Faz parte da cultura do Rio Grande. O leite é apenas uma das produções da fazenda. É usado para fazer doce e bolos.
Com exceção do açúcar, do arroz e da farinha, tudo o que é consumido na fazenda é produzido ali mesmo. O que sai do galpão vai direto para a cozinha. Bolos, pães, salame, doce de figo, queijo, mel, biscoitos...
Tudo o que estava na mesa de café da manhã é feito na fazenda. Dona Beth Vieira, dona de casa, explica que dá trabalho, mas também dá prazer. O pessoal aprova e come com satisfação.
Cânion Monte Negro
O grupo segue para outra fazenda. Na área do galpão, encontram seo Ailton de Oliveira Cardoso, agricultor. Descendente de tropeiros, ele prepara uma cavalgada pelos caminhos de seus antepassados. Ele se prepara para fazer uma ginetiada, ou seja, montar nos potros mal domados e amansá-los nos campos.
O bom humor deu tom ao passeio. Saíram da fazenda em quatro cavalos montados e um reserva. O capim seco era o piso. Caminho de terra e pedra pelos rastros da história. A poucos metros de um abismo.
A cavalgada levou ao cânion Monte Negro, um dos maiores e mais bonitos do Aparados da Serra. Os paredões chegam a ter 700 metros de altura. Lá em cima, a vegetação é de campo. Nos paredões, é mata nativa, mata fechada, intocada. Não há registro de ninguém que tenha conseguido chegar ao fim desse cânion.
O guia Eduardo Bernardino diz que o terreno é bem irregular. São rochas do tamanho de caminhonetes, de pequenos prédios. A dificuldade é enorme e, por isso, tem que ter técnica de escalada para entrar ao fundo da garganta.
Um cânion começa mais ou menos por um filete d’água que vai cortando a rocha, abrindo uma fenda na montanha de pedra. Ao longo de milhões de anos, o resultado é um vale enorme, com um riozinho passando lá embaixo.
Todos seguem o curso d’água, mas por cima da serra. Cruzam o rio das Contas num trecho que faz divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Um caminho que os tropeiros faziam para levar o gado até São Paulo.
Seo Ailton explica o porquê do nome rio das Contas, que tem duas versões. Segundo ele, quando os antigos passavam pelo rio com a tropa, eles contavam para ver se a tropa estava certa. A outra versão é que no tempo da revolução as tropas se encontravam e ali acertavam as contas.
O agricultor conhece como poucos a região. Quando criança chegou a acompanhar o avô nas tropeadas de mula para o transporte de mercadoria de Santa Catarina a Caxias do Sul. A viagem chegava a levar 20 dias.
Ele, então, leva a equipe para conhecer as taipas, muros de pedra usados para cercar o gado. O caminho das taipas termina num mangueirão, uma espécie de curral primitivo onde os animais ficavam confinados durante a noite.
Apesar de ter sido usado como ponto de pouso dos tropeiros, o mangueirão foi construído bem antes da chegada deles. A obra é atribuída aos jesuítas com o objetivo de domar o gado chucro.
Não há nada que prenda uma pedra à outra. Elas foram cuidadosamente empilhadas com altura de até um metro. Engenharia simples que já dura 300 anos.
Ailton diz que a cavalgada tem por objetivo mostrar as paisagens e mostrar um pouco das raízes do povo. É o fogo de chão, o chimarrão, a prosa, fumaça ardente à vista... Tudo isso faz parte do tradicionalismo.
O pouso dos tropeiros, antigamente, era desvencilhar os cavalos, fazer o fogo de chão, fazer a comida e o chimarrão e ali passar a noite. Tradição que perpetua nas famílias dos pampas.
Fauna e flora
Na serra gaúcha, a natureza acorda cedo. A caminho, na estrada, as aves coloriram e acompanharam o trajeto. O preá, um pequeno mamífero roedor, aproveita as primeiras horas do dia para garantir um suculento café da manhã. Mas tem que se alimentar rápido para não virar banquete das cobras, aves de rapina ou canídeos selvagens.
Entre eles, o graxaim. Espécie da família das raposas, moradora do Alto da Serra. Desconfiada, não deixa ninguém se aproximar. Um pouco à frente há mais dois. Ao contrário do primeiro, aqueles eram bem curiosos. Talvez por serem filhotes. Eles deixam a mata e vêem para a beira da estrada em busca dos petiscos dados por turistas.
Bem próximo dali estava Cambará do Sul, divisa com São José dos Ausentes. O município abriga dois parques nacionais, protegidos pelo Ibama. Neles estão apenas sete dos 36 cânions do complexo. No Parque Nacional dos Aparados da Serra foi preciso caminhar. O percurso de cinco quilômetros Parque adentro é numa antiga estrada vicinal cercada pela mata.
Ele termina à beira de uma das mais belas paisagens dos Aparados, o cânion Itaimbezinho. O nome foi dado pelos indígenas. Na língua deles, Itaimbé quer dizer pedra afiada. As pontas das escarpas devem explicar. É a garganta mais estreita de todas. São 800 metros entre uma parede e outra. O paredão é totalmente vertical e por isso mesmo quase não tem vegetação.
Se na parede a rocha é exposta, no alto as araucárias predominam. Na caminhada pela mata, um olhar atento revelou surpresas. Chegam ao outro lado do cânion, de frente para uma queda d’água. A cachoeira ultrapassa os 700 metros, não dava para ver o final.
Inspiração para seguir em frente, para o Parque Nacional da Serra Geral. Chegam a borda do cânion Fortaleza, que tem oito quilômetros de extensão. A corrente de ar é bem forte. Em alguns pontos, do topo até o rio embaixo, é quase um quilômetro de profundidade. A caminhada não terminou lá. O destino era o ponto mais alto do cânion.
Beirando o cânion, seguiram caminho. Passaram por matas, por arroios... À medida que subiam, o vento e o frio aumentavam. O percurso íngreme não permitia parada, era preciso chegar antes do sol se pôr.
A caminhada chegava ao fim, a quase um quilômetro do rio, no ponto mais alto do cânion Fortaleza. O vento era tão forte que era difícil se equilibrar e respirar. Mas depois de se acostumar, era só apreciar o visual. Era possível ver melhor o desenho das gargantas. O vale é maior do que o esperado.
De um lado, o cânion. Do outro, o litoral. Só ali é possível ter as duas vistas ao mesmo tempo.
De lá, o grupo segue para o vértice, o lugar onde nasce um dos maiores cânions do Brasil. O rio que deságua na garganta tem água transparente.
Eduardo explica que o braço do cânion Fortaleza já foi muito menor. Com as chuvas fortes que passaram pela região, essas rochas se movem para dentro do cânion. A rocha em que a equipe se encontrava muito provavelmente vai estar dentro do cânion dentro de cem anos. A pedra já dá sinais de que está se soltando.
Se aventurar pelas paragens do sul é vivenciar não só a história do Brasil, mas também descobrir a evolução geológica, a formação do território do nosso país.
Corvina Planura (MG)
(Vinícius Marra/Chico Escolano/Pedro Alves)
A equipe do Terra da Gente pegou estrada e o destino foi uma cidadezinha de apenas 10 mil habitantes, no Triângulo Mineiro. A pequena Planura fica a quase 600 quilômetros da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, e está bem na divisa com o Estado de São Paulo.
A ponte, construída em 1950, faz a ligação dos dois Estados, separados pelo imponente Rio Grande. A quantidade de água é um convite a uma boa pescaria, no grande e seus não tão pequenos afluentes.
Chegam no restinho de tarde e aproveitam para, cheios de expectativas, começar a pescaria no Rio Grande. A pescadora Aline Horikawa acompanhou o passeio. A equipe estava bem amparada com Aline e o piloteiro Isaac Rodrigues, que conhece muito bem a região.
É na pesca de rodada que tentam o dourado, num dos afluentes do Rio Grande, o Rio Pardo. E o barco foi correnteza abaixo. Metros e mais metros de linha até a isca tocar no fundo do rio. Bastava esperar o peixe. Longa espera... A tarde se despedia com pressa e nada de peixe. Até que a convidada tratou de recarregar as esperanças.
Aline fisgou um mandi. Não era bem esperado, mas o tamanho do peixe garantiu a diversão na pescaria e chamou a atenção.
Pescaria variada
No dia seguinte, bem cedo, todos acordam com a euforia das aves. Tucano, gavião e garça já trabalhavam em busca do alimento. O sol brilhava forte e mostrava que o dia seria proveitoso. Enquanto o equipamento era arrumado, Aline mata algumas curiosidades. Dúvidas esclarecidas era hora de traçar a estratégia na água.
O piloteiro Isaac diz que, nessa época do ano, a fisgada do peixe é muito rápida. Para tentar pegar a corvina, usam o camarão. Segundo Isaac, uma isca infalível. E não é que deu certo? A convidada é a primeira a pegar... Um peixinho! Não faltou bom humor no barco.
Logo depois a brincadeira fica ainda mais divertida. É só arremessar e as corvinas garantem a fartura na água. Apesar do tamanho dos peixes, a pescaria é animada. A cor da corvina chama atenção dos olhos.
O trecho do rio em que estavam é profundo, chega a mais de 30 metros. Para o peixe não morrer, a linha deve ser recolhida devagar. Se não tomar cuidado, as linhas ficam todas enroladas. Nó desfeito, chega a vez do repórter.
Decidem mudar de tralha e de pesca. As iscas artificiais de Aline dão idéia do que viria pela frente.
Do meio do rio, partem para as margens. Ora de um lado, ora do outro, o cenário muda. Entre as galhadas, o trabalho foi de muita insistência e braço firme. No susto da pescadora, o tucunaré-azul logo dá as caras. Aline fica surpresa com o tamanho do peixe.
Isaac orienta o grupo a ir ao ponto certo, onde são encontrados muitos filhotes. O piloteiro pega o dele. Mas o rio é democrático e, finalmente, chega a hora do repórter.
Se o tucunaré veio dar emoção a pescaria, faltava ainda pegar uma espécie. A equipe não podia ir embora sem o reio do rio.
É por isso que a pescaria atrás do dourado continuou no dia seguinte. Vários pontos do Rio Grande foram percorridos e nada. Mas como um bom pescador não vive sem a insistência, uma última tentativa, no Rio Pardo.
Quando todos já se davam por vencidos, veio a maior surpresa da pescaria. Aline mostrou que é boa pescadora e mulher de muita sorte. Quando o dourado, ainda pequeno, mas cheio de vigor, chega à superfície, a alegria no barco contagiou a aventura no trecho de rio no Triângulo Mineiro.
São lições de uma pescaria que envolve trabalho em equipe, conhecimento do rio, respeito a natureza e insistência... Muita insistência!
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Como chegar:
Aparados da Serra Geral, RS/SC
ADVENTURE APARADOS
Tel.: (48) 3522-3201
http://adventure.guiaaparadosdaserra.com.br
Rio Grande - Planura, MG
POUSADA O SOLE MIO
Tel.: (34) 3427-2054
www.pousadaosolemio.com.br
Programa Terra da Gente:
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*O programa Terra da Gente é exibido pelas seguintes emissoras: EPTV (Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha-MG); TV TEM (São José do Rio Preto, SP; Sorocaba, SP; Bauru, SP e Itapetininga, SP); TV Fronteira (Presidente Prudente); TV Diário (Mogi das Cruzes, SP); TV Centro América (Cuiabá, MT); TV Centro América Sul (Rondonópolis, MT); TV Centro América Norte (Sinop, MT); TV Terra (Tangará da Serra, MT); TV Morena (Campo Grande, MS); TV Sul América (Ponta Porã, MS); TV Cidade Branca (Corumbá, MS); TV Grande Rio (Petrolina, PE); TV Asa Branca (Caruaru, PE) e TV Tapajós (Santarém, PA). Sobre dias e horários, consultar a programação da emissora local.
O Terra da Gente é exibido também para todo o Brasil, aos domingos, às 7:00h, via antena parabólica (o canal Superstation da Globo) e para 116 países dos 5 continentes pelo Canal Internacional da Globo.
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